jueves, 29 de agosto de 2024

Fischer, Kasparov e a reinvenção dos clássicos

 Fischer, Kasparov e a reinvenção dos clássicos

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Rafael Leitão

11:28 (hace 9 horas)
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Quando Bobby Fischer capturou o cavalo no lance 4, certamente seu adversário, o húngaro Lajos Portisch, se surpreendeu. A variante das trocas da Ruy Lopez não era vista com bons olhos. Fischer, entretanto, tinha suas próprias ideias. Profundo conhecedor dos clássicos, sabia todos os detalhes da partida Lasker x Capablanca, disputada em São Petersburgo no ano de 1914, quando o campeão mundial venceu uma partida fundamental para ultrapassar o prodígio cubano na reta final do torneio. Lasker foi um Real Madrid do xadrez - sempre ganhava as partidas decisivas.

 

Fischer teve uma performance histórica de 15 pontos em 17 partidas na Olimpíada de 1966, onde essa partida foi jogada [veja aqui] e também outra famosa na mesma variante, quando venceu Gligoric em apenas 25 movimentos. O escore dele em partidas clássicas com a Ruy Lopez das Trocas foi de 5 vitórias e 2 empates, sem contar o match de 1992 contra Spassky - aquele já não era mais Fischer.

 

Quando Garry Kasparov moveu seu peão de cavalo no lance 4, certamente seu adversário, Vishy Anand, se surpreendeu. Os dias de glória do Gambito Evans estavam distantes. Kasparov, entretanto, tinha suas próprias ideias. Profundo conhecedor dos clássicos, sabia todos os detalhes da história da variante, incluindo as várias batalhas entre Chigorin e Steinitz. Ele sabia que a linha poderia ser modernizada e utilizada como fator surpresa. Anand teve que abandonar depois de 25 jogadas [veja aqui minhas análises dessa partida].

 

Vale dizer que Carlsen, que faz perfeita companhia a Fischer e Kasparov em termos de grandeza, também tem uma erudição absurda e levou a teoria de aberturas a outro patamar ao mostrar ideias novas em praticamente todas as variantes do xadrez. Ele, em um caso único dentre todos os campeões mundiais, não tem abertura fixa: joga tudo.

 

O que podemos aprender com esses três gigantes? No xadrez é importante conhecer o legado dos gênios do passado, mas fazer análises novas que incorporem os conceitos modernos. Erudição e vontade de analisar: essa receita foi usada pelos grandes enxadristas, de Morphy a Carlsen.

 


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Nos vemos,

Rafael

Enviado por Academia de Xadrez Rafael Leitão

www.rafaelleitao.com

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