O Clube de Xadrez São Paulo é um local histórico para o xadrez mundial. Fundado em 1902, por lá passaram, para ficar apenas nos campeões mundiais: Capablanca, Alekhine, Euwe, Smyslov, Petrosian, Spassky, Karpov e Kramnik. Simplesmente isso.
Comecei a frequentar o clube no final da década de 80, quando recém começava minha carreira. Toda vez que entrava na Rua Araújo sentia um frio na barriga de entusiasmo por ver meus ídolos de perto: Milos, Sunye, Herman Claudius, Panno. Alguns anos depois, comecei a jogar vários eventos no clube. Foram muitos torneios abertos, zonais classificatórios para a Copa do Mundo e um Torneio Continental.
O salão principal do CXSP tem uma área cobiçada por todos os enxadristas: o "aquário". Essa parte, separada por uma janela de vidro do restante do recinto, isola os tubarões dos capivaras, pelo menos na imaginação popular.
Quando criança, toda vez que era emparceirado no aquário meu coração batia mais forte. Lembro de um torneio aberto jogado em 1991, com a presença de vários enxadristas russos que tinham acabado de disputar um Campeonato Mundial de Jovens por equipes, em Guarapuava.. Eu tinha 11 anos, fui para o aquário enfrentar o grande mestre Maxim Sorokin e consegui empatar de pretas em uma Índia do Rei. Mal conseguia conter minha alegria ao terminar a partida, enquanto os colegas russos mangavam do Sorokin por ter empatado com aquele garotinho rechonchudo.
A vida de enxadrista é feita dessas emoções: entrar em um salão de jogos lotado, um ambiente que respira xadrez há mais de 120 anos, jogar uma partida no aquário. Xadrez online é muito bom, mas pisar no clube e jogar uma partida de torneio: essa sensação é inigualável.
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