Hoje meu filho acordou tenso. É um dos dias mais aguardados do ano, afinal o Flamengo enfrentará o PSG. Todo o ritual já está preparado: a camisa rubro-negra separada, a bandeira que ele coloca no sofá, o Tonhão (uma capivara de pelúcia) já preparado para ser apertado e jogado longe nos momentos de angústia. Mais tarde, meus amigos Gilberto Milos, Krikor Mekhitarian e Mauro Amaral passarão por apreensão semelhante ao ver o Timão jogar. Fier, vascaíno que não conhece um jogador do time, estará mais preocupado com sua partida no Campeonato Brasileiro de Xadrez.
Enxadristas sentem um nervosismo parecido nas partidas decisivas, com a diferença que em vez de xingar um jogador por um passe mal feito, eles mesmos têm que tomar as decisões e serão os únicos culpados. O que deixa a tensão muito maior, pelo menos no meu caso - no xadrez você é o único responsável pelas vitórias e derrotas.
Como encarar a tensão desses dias de "partida grande"? Durante minha carreira tive alguns desses momentos, com resultados tristes e felizes.
Em 1991, ganhei a partida decisiva na última rodada do Campeonato Mundial sub-12, depois de quase levar mate. Meu jogo foi horrível, mas tive sorte.
Em 1995, precisava vencer a última partida do Mundial sub-16, mas empatei depois de ter uma grande vantagem.
Em 1996, empatei a partida da última rodada no Mundial sub-18, resultado que foi suficiente para garantir o título.
Também em 1996, ganhei a última partida no Aberto de Groningen (HOL), que me deu uma norma de grande mestre.
É importante ter experiência nessas situações. Depois de passar por muitas partidas decisivas, você se acostuma com isso e não se coloca tanta pressão. Para mim esse sempre foi o segredo: não ficar pensando muito no que pode acontecer e jogar como se fosse um dia como qualquer outro. Mas cada um precisa encontrar seu próprio caminho.
Para não ficar em cima do muro, deixo meu palpite para Flamengo x PSG: 3x2 Mengão.
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