O que aprendi correndo com o GM Everaldo Matsuura

Durante o mês de novembro disputei o JASC, (Jogos Abertos de SC) pela equipe de Joaçaba, desfrutando da inspirada presença dos meus companheiros de equipe, dentre eles o GM Everaldo Matsuura, reconhecido inegavelmente como o maior gentleman do xadrez brasileiro. Aproveitei para entrar em forma durante a semana do torneio, compartilhando os 5km diários que o Mats corre, faça chuva, faça sol, chova granizo ou canivete, todos os dias do ano. Durante as corridas conversávamos e o meu mentor mostrou um caminho de sabedoria da vida para o xadrez.
Poderia escrever milhares de linhas sobre as lições de temperança (alimentação saudável e convicta), disciplina (levantar 7 da manhã para correr nos dias de partida às 9h) e fidelidade (comprar o mesmo tênis de corrida desde 2007 - escolha um bom repertório e continue com ele!). O maior aprendizado, entretanto, ocorreu no dia em que a equipe estava reunida em uma amistosa conversa durante a caminhada no calor escaldante de Chapecó, rumo ao salão de jogos.
Conosco estava o GM Renato Quintiliano, detentor de uma visão científica do xadrez. Filosofávamos sobre a melhor forma de tomar decisões durante a partida, quando o Matsuura nos explicou sua teoria de jogar xadrez deixando os lances fluírem, xadrez por feeling, os lances saindo da mente para a mão em um processo intuitivo. Estupefato ficou o Quinti, que provavelmente nem dormiu aquela noite, pois o pensamento Matsuuriano nitidamente lhe causou grande impressão. Claro que eu, em processo de escrita da obra enxadrística definitiva, "Como Jogar Xadrez Sem Calcular", logo rascunhei mentalmente um novo capítulo do livro - quem sabe convenço o próprio filósofo original a dar sua contribuição.
Sejamos sinceros - o feeling, a intuição, a confiança de estar no caminho certo - essa é a característica definidora dos grandes enxadristas, de Capablanca/Karpov/Carlsen, intuitivos por natureza, até mesmo a Alekhine/ Fischer/Kasparov, enxadristas racionais por excelência. O Kasparov, não à toa, fala sobre a importância da intuição em vários de seus livros.
A maioria das decisões do xadrez é uma mistura de cálculo e intuição. É preciso sentir o que a posição pede e calcular o mínimo necessário para atender o pedido do tabuleiro. Refletindo sobre tudo isso, cheguei à conclusão que as melhores partidas da minha carreira foram muito mais intuitivas do que calculadas. Mas como aprender a confiar na sua intuição? Esse pode ser o assunto de outro e-mail, quem sabe depois do Brazil Chess Series, em Florianópolis, quando pretendo correr mais de 50km com meu mentor.
Por enquanto o melhor a fazer a se unir ao time de alunos do Acesso Total. Opinião 100% parcial. |
Bons estudos, GM Rafael Leitão |
|
|
|
No hay comentarios:
Publicar un comentario